MAM - Artevida





Rodrigo Moura, um dos curadores da exposição em questão, explica que, mesmo o Rio de Janeiro sendo uma cidade repleta de grandes nomes da arte brasileira (e com uma cena artística aflorada), nunca tinha recebido uma exposição internacional de tão grande porte. Baseado nisso, surgiu o primeiro desafio: criar o conceito "Artevida", que diz respeito à aproximação da arte com a vida durante regimes autoritários e períodos políticos carregados de tensão, e da necessidade de caracterizar o Rio como ponto de partida e matriz para se estabelecer relações globais dentro do campo da arte. As obras, em geral, são de cunho crítico e político, e foram realizadas sobretudo fora dos grandes centros americanos e europeus nas décadas de 60, 70 e início de 80. Também é interessante ressaltar a ênfase que foi dada à produção de caráter feminista, contando com obras de mais de 50 artistas mulheres. A obra de Íris Helena (Notas Públicas) concebe o todo a partir da composição por fragmentos. Além de frisar a ideia de que diferentes partes, em harmonia, podem formar um todo, o método utilizado altera a forma de se ver uma figura (característica importante na arte moderna). Na obra de Luis Camnitzer (Uruguayan Torture Series), partes de seu próprio corpo foram fotografadas e justapostas com frases fragmentadas. A série de fotos foi feita quando o mesmo estava deportado em Nova York durante um período político tenso em seu país de origem (Uruguai). A obra encoraja o espectador a imaginar suas próprias situações de tortura física. Essa morbidez provoca uma catarse que leva a desagradável sensação de tortura e opressão, sendo por sua vez, a intenção conceitual da obra (catarse e comoção). Um deslize da exposição Artevida foi a falta de detalhamento dos contextos das obras. A presença de artistas turcos, palestinos e africanos, com historias tão distintas da nossa, dificulta um entendimento razoável das motivações dos trabalhos.

Gustavo Silveira, Micael Guedes, Amanda Hecht e Rafael Latado

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