No
dia 20 de agosto, o artista carioca Marcos Chaves abriu as portas de
sua exposição “Academia/ Sugar Loafer”. Tendo duas instalações
ambientadas em andares diferentes, a primeira tem inspiração nas
academias de ginástica construídas ao ar livre, e foi batizada de
Academia. A obra foi feita a partir da observação de uma academia de
ginástica informal montada no Aterro do Flamengo por moradores da área,
que visavam se exercitar e aproveitar a paisagem ao mesmo tempo, fugindo
das tradicionais academias "in-door". Nessa perspectiva, é válido
ressaltar que o uso do concreto nas esculturas e a ideia do exercício ao
ar livre, valorizam a paisagem característica e única do Rio de
Janeiro, que oscila entre cidade grande e natureza. Na obra em questão,
pode ser observada uma critica à uma dinâmica atual, que diz respeito ao
meio intelectual ser afastado do meio de culto ao corpo, e vice versa.
Por sua vez, isso gera contraste à dinâmica da Grécia antiga, onde essas
duas vertentes eram alinhadas . Outro fator interessante é a influência
do neo concretismo, visto que o público pode manusear os aparelhos, já
que os mesmos são funcionais.
No segundo andar são reunidas cerca de 25 fotografias concebidas a
partir de cenas cotidianas. O enfoque na praia ressalta o clima tropical
e todo o calor da personalidade carioca, o na paisagem do pão de
açúcar, assim como na exposição Academia, mostra bem o contraste
natureza/cidade grande do Rio de Janeiro. Tais fotografias formam grupos
interligados pela associação de luz, cores e geometria. Uma relação
pertinente entre os dois andares é a ausência do corpo (da figura
humana). Atrelado a isso, observa-se que o ato de se exercitar, da
primeira exposição, e o fato de carros, cadeiras de praia, postes,
estarem em enfoque na segunda, ressaltam o trabalho humano, e não a
personalidade e (ou) figura humana de forma totalmente explícita.
Baseado na aura irônica e crítica da exposição Academia/ Sugar Loafer, é
válido citar uma frase do próprio artista Marcos Chaves para se ter uma
ideia geral de sua obra: "É impressionante observar como algo pesado
pode se tornar leve pela força humana."
Grupo: Rafael Latado, Micael Guedes, Gustavo Silveira, João Pedro Moura e Roberta Bittencourt
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