Exposição:
Membrana
As obras de Ângelo Venosa, expostas na galeria Anita
Schwartz, são para o espectador uma abertura. Sem títulos, sem definições, sem
explicações, cabe ao público extrair/entender o que lhe cabe e, como o próprio
artista diz, qualquer que seja a resposta a pergunta que automaticamente se faz
ao se deparar com uma obra (o que quer dizer¿), ela estará correta, pois não
existe certo ou errado. A obra é concreta, física, presencial, e está posta
para a fruição sensível e intelectual do espectador, à quem cabe construir uma
narrativa literária que justifique ou signifique a obra.
O título geral da exposição, “Membrana”, é representativo
para o autor porque provém de um conceito oscilante entre concreto e abstrato.
A “membrana” é o que limita o interno e o externo, que regula o trânsito, que
marca a existência de tudo o que existe no mundo físico.
As obras de Ângelo são planejadas junto à criação, sem um
planejamento prévio – o que, para ele, traz um resultado muito positivo, no
sentido dos resultados e da abertura dos processos de criação. A obra surge da
mente vazia, como um pensamento novo, dado fenomenológico. Uma obra pode
começar de uma forma e ser totalmente modificada, repensada. O surgimento é
sempre próximo à essência dos atos e das entidades objetivas (o produto, o
resultado).
É notório o impacto das obras de Ângelo: a grande peça de
alumínio escuro, constituída por peças triangulares e sustentada por
abraçadeiras rústicas; os novelos construídos por canetas 3D; os relevos
formados por camadas de acrílico; as cascas de bambu sem forma fechada,
lembrando o símbolo do infinito (abaixo).
Todas brincam com a noção de funcionalidade – no caso,
legando-a a nada – e com contornos, formas, conteúdo e imaginação.
Em sua experimentação, o uso da tecnologia é fundamental –
sem ela, parte das obras expostas seriam inviáveis e nem sequer existiriam. A
tecnologia é objeto de sua curiosidade e também sua ferramenta.
Ângelo surge
juntamente a muitos pintores, num período de efervescência da pintura
brasileira, nos anos 80. Iniciado na pintura, acaba sendo dissidente da linguagem
estabelecida dessa arte e atuante em novas expressões através da escultura.
Hoje é considerado um dos mais importantes escultores brasileiros e suas obras
alcançam de praças públicas aos principais museus do país.
Grupo: João Pedro, Julia Bigio, Danielle Seyr, Renata Devesa, Roberta Bittencourt.

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